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RITUAIS E POOJAS

rituais e poojas

O primeiro método descrito pelos antigos sábios para fortalecer planetas fragilizados num mapa ou equilibrar configurações astrológicas maléficas são os rituais. Mas devo dizer a você que, no Ocidente e especialmente no Brasil, conheço poucas pessoas que conseguem realizar um ritual védico com perfeição. Seguir as disciplinas (sadhanas) exige estudo, dedicação, perseverança e, às vezes, até um pouco de coragem. Além disso, os rituais precisam ser realizados em momentos especiais e específicos, e raros são os ocidentais que detêm um conhecimento suficientemente profundo da astrologia védica para saber quais são eles. Por isso, os mestres advertem: se você não sabe como realizar os rituais védicos corretamente, não os faça sem orientação. Você poderá despertar energias que dificilmente poderão ser reenviadas aos locais de onde foram invocadas.

Feita a advertência, falemos um pouco dos rituais. Em todas as religiões conhecidas, as atividades sagradas são acompanhadas de ritos e cerimônias. Em sânscrito, essas atividades são nomeadas como Havan, Homa, Yagya ou Agni Hotra, de acordo com o tamanho e a importância do ritual. Essas palavras se referem basicamente à iluminação pela luz do fogo sagrado, já que, na cultura védica, o fogo é a testemunha de todos os rituais.

Praticar os rituais é como plantar uma semente: tomamos a vida nas mãos e a fazemos germinar. Os ritos védicos são uma das únicas formas de alcançar os deuses, pois criam um espaço sagrado que invoca a presença das divindades e se torna um local de catalisação das transformações pessoais. Utilizando a metodologia descrita nas milenares escrituras sagradas, podemos conseguir os favores divinos. Citando Lavoisier, "na natureza nada se perde, tudo se transforma". Quando se oferece uma oblação ao fogo, o objetivo é transmutar as oferendas: elas se transformam num aroma que percebemos de longe e que refresca o ar, destruindo as impurezas.

Para praticar os rituais, é preciso purificar os pensamentos, o corpo físico e o ambiente. É o mesmo que acontece em relação à poluição da água e do ar, que traz doença e dor: como conseguir a saúde e a felicidade dos rituais sem corpo puro e mente limpa? Por meio de posturas, gestos (mudras) e intenções, transmitimos nossas mensagens e desejos para o Supremo Senhor, destinatário de todos os sacrifícios, e unimos o presente momento ao reino dos deuses.

Uma cerimônia de fases

cerimonia de fases

Como todo ritual, os poojas são realizados em algumas etapas, que devem ser seguidas com atenção. A primeira fase inclui as atividades de preparação, como a higiene física (deve-se tomar banho, vestir roupas limpas e fazer marcas sagradas pelo corpo) e a limpeza e preparo da área do ritual. Afastam-se os móveis desnecessários, e todo o local é purificado com incensos (ou estrume de vaca seco queimado) e com a água de rios sagrados. A decoração é feita com folhas de árvores auspiciosas (mangueiras, bananeiras) e com guirlandas de flores perfumadas. Potes de água devem ser colocados nas oito direções. Bandeiras são penduradas, e figuras geométricas são desenhadas no chão. O local tem de ser coberto. Em seguida, reúnem-se lamparinas de cânfora, manteiga clarificada (ghee), velas, flores, frutas, plantas e ervas sagradas e vários tipos de comida, e selecionam-se os utensílios para o ritual.

Todas as pessoas que forem participar da cerimônia também devem se purificar, minimizando seus vínculos com a matéria e fortalecendo a mente. Há algumas maneiras de fazer isso: não comer corpos de animais mortos; não se intoxicar, por meio do uso do álcool ou de outras drogas; evitar a raiva, o desejo sexual e a cobiça de objetos materiais; não jogar nem apostar; e evitar a prática de sexo alguns dias antes da cerimônia. Tudo que possa nublar a mente e a consciência, ou que cause a perda de fluidos corporais, deve ser evitado. A mente é o elemento mais importante do ritual. Se ela está impura, todo o processo é inútil, e os métodos de limpeza física são apenas auxiliares da purificação mental. Para realizá-la, utilizam-se técnicas de respiração (pranayamas), meditação e mantras. Alguns mantras têm relação direta com as ações específicas de cada pooja. Outros, com o objetivo do ritual. Em todos os casos, eles devem ser minuciosamente entoados, em palavras, melodia e pronúncia, para os resultados desejados surgirem e para que as energias do ritual sejam ativadas de forma segura.

Palavras Sagradas

palavras sagradas

Nas cerimônias védicas, todo ato deve ser santificado com um mantra. Mantras são cânticos sagrados. Não basta compreender o significado de um mantra ou apenas repeti-lo: é preciso carregá-lo de intenção. Também não importa quão poderoso seja um mantra: se a pessoa não o entendeu ainda, se ele não foi claramente explicado ou se o praticante o recita mecanicamente, sem atenção, não surgirão benefícios. Dizem que todo mantra deve ser cantado como o bebê chora para a mãe: para chamar a atenção, com desespero!

Sem dúvida, uma pessoa que recitar determinados mantras poderá incrementar seu progresso, mas não se podem esperar milagres da noite para o dia. Somente depois de muita prática diária é que se consegue elevar o espírito e estabelecer uma comunicação com os deuses. Também não se devem recitar mantras apenas quando a situação está ruim, ou quando alguém querido cai doente. O objetivo dos mantras é limpar carmas negativos e atrair efeitos benéficos. Mesmo pessoas que agem de forma extremamente destrutiva conseguem reduzir a intensidade de seus problemas e aumentar sua força pessoal com a prática de entoar mantras e de realizar adorações. Aos poucos, o praticante vai conseguindo encarar os obstáculos com coragem, confiando em seu poder de superá-los.

Toda a vida espiritual se inicia quando recitamos os mantras védicos. Segundo os Vedas, os mantras nos livram da morte e das dificuldades quotidianas, permitem nossa união com as forças divinas e nos possibilitam a compreensão maior de que todas as formas no Universo são manifestações do mantra da criação, o Om. Assim como o vento remove as nuvens, a repetição dos nomes dos deuses nos concede entendimento sobre todas as energias e maestria sobre as forças da natureza. Não existe diferença entre o nome e a forma dos deuses. Até mesmo Brahma, o criador do Universo, medita nos mantras para sua autorrealização. Mantras são como sementes: se regadas com devoção e amor, tornam-se um jardim que floresce.

Na Índia, diversos tipos de adorações e mantras são adotados, dependendo da região. Alguns rituais mais complexos duram vários dias, mas há outros, bem simples, em que se utilizam apenas leite e açúcar, velas, incenso e comida pura; são feitos com muita devoção e sinceridade de propósito. Com tais ingredientes, as chances de sucesso são enormes.

Agni, o deus do fogo

agni

Agni, o deus do fogo, é considerado o embaixador do Senhor Supremo. Por isso, ele é a testemunha de todos os rituais. O fogo deve ser estabelecido no kunda (bojo ou recipiente ritualístico), que deve ser colocado num local livre de itens impuros. O kunda pode ter vários formatos e representa a estabilidade do coração.

O solo onde sua estrutura permanece deve ser primeiramente santificado com a água de rios sagrados; depois, um quadrado de tijolos é montado. Eu, pessoalmente, realizo rituais em uma pirâmide de cobre invertida, que representa o kunda e é uma miniatura de um local védico de rituais - uma forma de "transportar" esse local de rituais para outras regiões.

Nos poojas védicos, os pedaços de madeira são as orelhas do fogo, a fumaça são as narinas, as chamas finas são os olhos, as brasas são a cabeça e as grandes chamas são sua língua. Os Shastras recomendam que se ofereçam as oblações para a língua de Agni. Durante a cerimônia, vários nomes de Agni são entoados, e não se deve lançar nada ao fogo que não seja permitido.

A mente atenta e forte

mente

Quando praticamos um pooja, focalizar a mente no objetivo é a chave do sucesso. Os rituais serão tanto mais poderosos quanto envolverem a totalidade de nosso ser. O segredo é não operar com a consciência material, que estará presa à organização, à apresentação da cerimônia ou à memorização dos cânticos, mas, com a intenção na meta do ritual, trazida do mais profundo de nossa consciência, devemos invocar o Deus que está no coração.

A forma de pensar e agir num ritual imprime fortemente na alma a criação de um padrão de hábitos muito semelhante aos mecanismos de autorresposta instintiva. Por meio da associação e da memória, a pessoa repete tal padrão até que ele se torne conclusivo e constante no quotidiano. Após essa convicção ser alcançada, a pessoa pode facilmente discriminar entre matéria e espírito e, com certeza, alcançará benefícios nos dois campos. Embora seja preciso discernir entre o efêmero e o eterno, os rituais védicos também trazem resultados materiais, se os participantes assim o desejarem. Todos devem entender que o ritual e a fé caminham juntos. Do contrário, todo rito será mecânico e ineficaz. Além disso, qualquer que seja o desejo do praticante, os resultados serão responsabilidade sua. Tudo o que se deseja virá como retorno. Lembre-se: é cármico!

Além disso, para se obter sucesso com a prática de um pooja, outra condição essencial deve ser satisfeita: é preciso realizá-lo em datas e horários auspiciosos. As constelações celestes regem as diferentes energias do dia e, por isso, é necessário saber quais energias estarão presentes em determinados momentos e verificar se elas são compatíveis com as finalidades do ritual. Sem a presença dessas energias, não há como obter os resultados esperados. Isso explica por que alguns rituais nos quais as pessoas se aplicam e se esforçam não atingem seus objetivos. Pense de novo na semente: será que ela germina, se plantada fora do tempo?

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